domingo, 19 de junho de 2016

O Precursor do Uber

Um jornal da região de Miguel Pereira costuma publicar pequenas biografias de pessoas ilustres da cidade. Esta semana foi publicada a do meu avô paterno (leia aqui) e muitas lindas lembranças que guardo dele vieram à tona. Mas isso é assunto para outra oportunidade.

Queria chamar atenção para um trecho da biografia, o qual reproduzo abaixo:

Estudando outras oportunidades de sobrevivência, optou então por trabalhar como taxista na cidade, e ao lado de Pedro Vergnano, Alvanyr de Lima Ferreira, Manoel Guilherme Barbosa e Paulo Machado, entre outros, compondo um pioneiro grupo de homens que entre as décadas de cinquenta e setenta eram conhecidos pelo título de “motoristas de praça”. De acordo com suas filhas, Argeu primava pela elegância e bom gosto ao tempo em que era taxista. Dentro ou fora do seu Ford 38 [na verdade era um Chevrolet 38, de cor preta - comentário meu] ele jamais deixou de envergar uma camisa bege e uma gravata preta, pois considerava a aparência e a postura de um profissional atributos indispensáveis ao serviço que executava e ao atendimento aos passageiros que o procuravam.

Carro preto, boa apresentação e atendimento de primeira ao seus clientes. Só existe uma conclusão possível: vovô Argeu foi o precursor do Uber.

Vovô Argeu: Uber analógico
 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Máquina do Tempo (3)

Outro motivo (ver outros aqui e aqui) para que fosse inventada a máquina do tempo: Wishbone Ash ao vivo, no auge e tocando The King Will Come.

Duvido que vocês assistam esse vídeo e não fiquem uns três dias com o riff da guitarra do Laurie Wisefield colado em seus cérebros.

Tem gente que não consegue andar e mascar chiclete ao mesmo tempo. Nesse vídeo ele masca chiclete e brinca de tocar guitarra. Dá a impressão de que qualquer um pode fazer igual.

Desculpem o palavreado, mas é simplesmente foda! Muito foda!

E pensar que o álbum Argus tem 44 anos e não envelheceu.




terça-feira, 7 de junho de 2016

O transporte público que o Rio precisa

O Rio de Janeiro vai ter um sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT). Ontem foi o primeiro dia útil de funcionamento e o tal veículo teve uma pane elétrica.

VLT tem problema elétrico no primeiro dia útil de funcionamento

Entendo que tudo ainda está em fase de testes e tudo mais. É para dar problema mesmo. Mas a questão não é essa. Esse bonde moderno não combina com o Rio de Janeiro. Não tem malemolência. Falta a ele brasilidade.

Vejam vocês: uma das preocupações das autoridades é que, como o VLT não faz barulho, podem ocorrer atropelamentos de pedestres desavisados. É isso mesmo: o veículo não faz barulho! E não solta fumaça!

É uma intervenção inadmissível no ecossistema urbano de nossa cidade. Depois da extinção da geral no Maracanã, esse provavelmente é o maior ataque ao patrimônio cultural imaterial carioca. O que falta mais? Proibirem o Biscoito Globo?

Mas ainda há tempo para reverter isso. Se eu fosse prefeito do Rio de Janeiro arrancava todas essas tralhas do VLT e implantava em seu lugar linhas de trenzinhos Carreta Furacão (meu amigo, se você não faz ideia do que seja isso, eu sinto muito pela sua alma).

Imagine você chegando ao aeroporto Santos Dumont e podendo embarcar em uma viagem de alegria e curtição com versões genéricas e dançantes do Fofão, do Capitão América, do Mickey e do Popeye. Perto disso, o que é um passeio no bondinho de Santa Tereza? Antevejo milhões de turistas vindo ao Rio só para desfrutar dessa experiência. Isso sim seria um legado olímpico digno de nota.

O leitor mais atento poderia dizer que não se trata de um fenômeno cultural carioca. Os trenzinhos são de Ribeirão Preto, é verdade. Mas e daí? Se é para importar alguma tecnologia de fora do Rio, que seja brasileira. Nada de veículos fabricados com tecnologia francesa. Se a nova presidente do BNDES tiver o mínimo de sensibilidade, vai pegar os R$ 100 bilhões que querem repassar de volta ao Tesouro e financiar a indústria dos trenzinhos com juros subsidiados. Esses são os campeões nacionais que merecem apoio.


A volta dos que não foram

O blog ficou meio parado nos últimos meses, mas agora pretendo reativá-lo aos poucos. De cara era necessário atualizar a minha descrição para incluir o título da Copa ED do ano passado: depois de 13 anos posso dizer que sou tricampeão.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vai ter Copa

Desde 2001 o maior evento de fanfarronice esportiva do planeta tem acontecido todos os anos sem interrupção. A Copa ED sempre foi uma esculhambação, mas esse ano passamos do limite: quase que ela não acontece. Entretanto, para nossa alegria a décima quinta edição está confirmada para o dia 19 de dezembro.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Aula de literatura

A expressão empurrar com a barriga significa enrolar, postergar, adiar. Há vinte anos não era mais possível fazê-lo. O Fluminense iria completar uma década sem conquistas. Era urgente por um fim nisso.

Então, Renato Gaúcho resolveu desafiar a lógica. No Maracanã lotado, aos 42 minutos da etapa final, ele paradoxalmente empurrou com a barriga e parou de empurrar com a barriga. De uma maneira que um imortal da Academia Brasileira de Letras jamais conseguiria fazer, subverteu completamente o significado da expressão.

Se o paradoxo é uma figura de linguagem em que a conotação extrapola o senso comum e a lógica. Se no paradoxo proposições falsas, à luz do senso comum, tornam-se verdade poéticas, o gol de barriga deveria ser ensinado em todas as escolas nas aulas de literatura. E Renato Gaúcho deveria ser alçado à condição de grande poeta de nossa língua. Um poeta que escreveu uma de suas maiores poesias sem palavras. 

Deleitem-se com a poesia.